São Paulo, novembro de 2025 – No evento “Para além de Belém: o legado da COP30”, realizado na segunda-feira, 17, lideranças globais, especialistas e representantes amazônicos reuniram-se para discutir novas formas de integrar natureza, desenvolvimento e responsabilidade empresarial. O lançamento do HUB Natureza e Clima, parceria entre o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, abriu espaço para um debate sobre como empresas podem atuar com maior impacto socioambiental.
Guilherme Xavier, diretor executivo do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, sintetizou esse papel ao afirmar que Belém “não foi apenas a sede da COP30, foi uma escolha carregada de significado”, citando a consistência técnica e a sintonia com a Amazônia como pontos decisivos para o legado deixado.
O evento ganhou densidade com a fala da co-chair do UNFCCC PCCB, Princesa Abze Djigma, que destacou a necessidade de reconhecer quem produz soluções reais no dia a dia. Ela afirmou que “é hora de mudar a narrativa sobre quem produz soluções”, indicando que povos e territórios já carregam conhecimento capaz de orientar políticas e investimentos. Sua visão apresentou caminhos para empresas que desejam construir estratégias alinhadas à realidade dos territórios e capazes de criar valor econômico aliado à preservação.
A navegadora e pesquisadora Tamara Klink ampliou o debate ao explicar como o oceano absorve calor em escala acelerada e altera a estabilidade climática global. Sua fala trouxe clareza científica e reforçou que o tempo para decisões eficientes é curto. Ao lembrar que “esta é a década decisiva”, ela apresentou dados e reflexões que ajudam o setor privado a compreender riscos, responsabilidades e oportunidades de transição sustentável.
No centro do encontro, emergiu uma questão essencial: por que este evento importa? Porque ele reuniu ciência, empresas, governos e comunidades da Amazônia em torno de um mesmo objetivo. Este diálogo ofereceu ao setor privado a chance de entender que a floresta representa mais do que um patrimônio ambiental; ela é uma fronteira econômica que depende de decisões responsáveis. Ao unir conhecimento técnico, saber ancestral e visão de negócio, o evento apresentou um caminho concreto para empresas que desejam atuar com credibilidade e relevância no cenário climático global.
Em seguida, a liderança indígena Vanda Witoto, diretora do Instituto Witoto, trouxe uma perspectiva que conectou território e desenvolvimento. Ela afirmou que “falar sobre clima é falar sobre território” e destacou que nenhum modelo econômico se sustenta sem a floresta. Ao lembrar que a demarcação protege o equilíbrio climático global, Vanda convidou empresas e o setor financeiro a fortalecer iniciativas criadas nos territórios. Sua fala mostrou que colaboração produtiva entre comunidades e investimento privado produz resultados sociais, ambientais e econômicos.
O encerramento ficou marcado pela apresentação da cantora paraense Zaynara, intérprete de “Sou do Norte” e “Quem Manda em Mim”. Sua presença trouxe a força cultural que expressa o espírito da Amazônia, lembrando que identidade, arte e pertencimento também fazem parte da construção de soluções climáticas. O encontro terminou com uma percepção clara: transformar a relação entre natureza e economia é possível e começa com escolhas feitas agora. O setor privado tem a oportunidade de liderar essa nova fase, reconhecendo o potencial dos territórios, adotando práticas responsáveis e apoiando soluções criadas por quem vive a floresta.
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